Maior do que o "eu sei", é o "desconheço",
Mais forte que a certeza, o que é incerto;
O longe é mais presente do que o perto,
E é mais comum desdém do que o apreço.
Se um fim consigo à dúvida que teço
Um novo questionar, após desperto,
Me leva além um mero errado ou certo
E então, de novo, em dúvida padeço.
Eu quero ter a fé que move os montes
E os torna em verdes prados, doces vargens...
Porém, em mim a dúvida é constante
E a linha que demarca os horizontes
É bem mais definida do que os margens
Da estrada em que caminho, vacilante!
São Roque (Fervedouro), 20 de agosto de 2023