Deixa que o olhar do mundo enfim devasse
Teu grande amor que é teu maior segredo!
Que terias perdido, se, mais cedo,
Todo o afeto que sentes, se mostrasse?
Basta de enganos! Mostra-me sem medo
Aos homens, afrontando-os face a face:
Quero que os homens todos, quando eu passe,
Invejosos, apontem-me com o dedo.
Olha: não posso mais! Ando tão cheio
Desse amor, que minh`alma se consome
De te exaltar aos olhos do universo.
Ouço em tudo teu nome, em tudo o leio:
E, fatigado de calar teu nome,
Quase o revelo no final de um verso.
Um tributo aos amantes do soneto, a mais bela forma de poesia já criada. Para saber mais sobre o autor, clique em seu nome abaixo do título do soneto. Para ver todos os sonetos de um autor já publicados neste blog, clique no nome do autor, no campo "Autores", à direita. BOA LEITURA!
sexta-feira, 18 de setembro de 2020
sexta-feira, 11 de setembro de 2020
Obstinação
Virgínia Vitorino
Antes eu resistisse; antes não fosse
Tão longe a exaltação do meu desejo!
Quis um amor sincero, calmo e doce;
Tive-o tão perto e tão distante o vejo!
Antes eu resistisse; antes não fosse
Tão longe a exaltação do meu desejo!
Quis um amor sincero, calmo e doce;
Tive-o tão perto e tão distante o vejo!
Passa agora por mim como um cortejo
De sombras e saudades… Apagou-se
A nota musical do último beijo…
– E aquele amor só dúvidas me trouxe!
De sombras e saudades… Apagou-se
A nota musical do último beijo…
– E aquele amor só dúvidas me trouxe!
Foste. Não voltarás. No entanto, calma,
Se penso em ti, descubro na minh´alma
Que já não te pertenço nem te quero.
Se penso em ti, descubro na minh´alma
Que já não te pertenço nem te quero.
Não voltas. Sem um grito, sem barulho,
Vou sufocando em lágrimas o orgulho
E embora saiba que não vens… espero!
Vou sufocando em lágrimas o orgulho
E embora saiba que não vens… espero!
Diferentes
Virgínia Vitorino
"Fala comigo, amor. Conta-me tudo:"
Assim dizia a tua linda carta.
As saudades que sofre quem se aparta!
E como eu sou feliz, porque me iludo!
"Fala comigo, amor. Conta-me tudo:"
Assim dizia a tua linda carta.
As saudades que sofre quem se aparta!
E como eu sou feliz, porque me iludo!
Custou-me que partisses. E, contudo,
murmurei ao sabê-lo: "Pois que parta.
Se o cansei, também eu me sinto farta.
E, se mudar, então também eu mudo."
murmurei ao sabê-lo: "Pois que parta.
Se o cansei, também eu me sinto farta.
E, se mudar, então também eu mudo."
Foste... Escreves... São raras as verdades...
E contas-me sem sombra de saudades:
"Passeio... mato o tempo, assim... assim..."
E contas-me sem sombra de saudades:
"Passeio... mato o tempo, assim... assim..."
Comigo quase o mesmo se está dando:
mas, em vez de ser eu que o vou matando,
o tempo é que me vai matando a mim...
mas, em vez de ser eu que o vou matando,
o tempo é que me vai matando a mim...
Renúncia
Virgínia Vitorino
Fui nova, mas fui triste... Só eu sei
Como passou por mim a mocidade...
Cantar era o dever da minha idade,
Devia ter cantado e não cantei...
Fui bela... Fui amada e desprezei...
Não quis beber o filtro da ansiedade.
Amar era o destino, a claridade...
Devia ter amado e não amei...
Ai de mim!... Nem saudades, nem desejos...
Nem cinzas mortas... Nem calor de beijos...
Eu nada soube, eu nada quis prender...
E o que me resta?! Uma amargura infinda...
Ver que é, para morrer, tão cedo ainda...
E que é tão tarde já, para viver!...
Fui nova, mas fui triste... Só eu sei
Como passou por mim a mocidade...
Cantar era o dever da minha idade,
Devia ter cantado e não cantei...
Fui bela... Fui amada e desprezei...
Não quis beber o filtro da ansiedade.
Amar era o destino, a claridade...
Devia ter amado e não amei...
Ai de mim!... Nem saudades, nem desejos...
Nem cinzas mortas... Nem calor de beijos...
Eu nada soube, eu nada quis prender...
E o que me resta?! Uma amargura infinda...
Ver que é, para morrer, tão cedo ainda...
E que é tão tarde já, para viver!...
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