domingo, 21 de abril de 2019

Introibo ad Altare

Martins Fontes

O livro para mim lembra um cofre encantado,
Relicário oriental do esoterismo antigo.
Supersticiosamente, ao senti-lo a meu lado,
Sob a sua atração, conjeturo, investigo!

Um livro aberto é como um anjo iluminado,
De asas espalmas e que, em êxtase, bendigo!
Quantas vezes, orando, eu lhe tenho chamado
— Meu Pai e meu Irmão, meu Mestre e meu Amigo!

O livro, belo e bom, desde a essência ao formato,
Deverá sempre dar, aos olhos como ao tato,
O prazer que produz a impressão de um primor.

Tendo-o louvado assim, ao fechar do soneto,
Peço que ele também, como aconselha Hamleto,
Seja sempre uma joia e nos fale de amor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário