Augusto de Lima
“É cedo!” — Ao homem uma voz responde,
Quando, recém-nascido, o olhar aberto
Pela primeira vez, levanta incerto,
Interrogando o fado que se esconde.
“É cedo ainda”. Do zênite já perto
O espírito, por mais que inquira e sonde,
A mesma voz, que vem não sabe donde,
Repete o cruel dístico encoberto.
Fitando o ocaso, afaga uma esperança.
“Espera”, diz-lhe a voz, e não se cansa
De esperar que do ocaso venha a aurora.
E a noite vem. No vítreo olhar silente,
Morto, ainda interroga avidamente...
— Porém, responde a voz: “É tarde agora!”
“É cedo!” — Ao homem uma voz responde,
Quando, recém-nascido, o olhar aberto
Pela primeira vez, levanta incerto,
Interrogando o fado que se esconde.
“É cedo ainda”. Do zênite já perto
O espírito, por mais que inquira e sonde,
A mesma voz, que vem não sabe donde,
Repete o cruel dístico encoberto.
Fitando o ocaso, afaga uma esperança.
“Espera”, diz-lhe a voz, e não se cansa
De esperar que do ocaso venha a aurora.
E a noite vem. No vítreo olhar silente,
Morto, ainda interroga avidamente...
— Porém, responde a voz: “É tarde agora!”
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